Gamificação não é produto, é uma estratégia para resolver problemas

cena do filme tropa de elite

Nos últimos 2 anos – talvez mais – as pessoas começaram a se familiarizar com o termo gamificação. Mesmo que não consigam verbalizar uma explicação formal, elas já entenderam que tem algo a ver com games e que não é necessariamente um game.

Elas sabem que os games tem um grande poder de motivar as pessoas e querem ver isso funcionando em suas vidas, resolvendo problemas nas escolas ou nas empresas em que trabalham.

As empresas também já entenderam isso e, rapidamente, seguem evoluindo sua cultura e seu ambiente de trabalho. Tudo para não perder o interesse de profissionais que não são mais tão fiéis aos seus empregadores como eram há 15 ou 20 anos. Muitas companhias já investiram em gamificação e querem ver isto funcionando o mais rapidamente possível e sem falhas, como quando contratam qualquer outro serviço.

Serviço?

Essa é a dificuldade atual quando se fala em gamificação nas empresas. O que antes era o problema de se explicar o conceito, hoje se transformou no discurso de que a gamificação não é um serviço, é uma estratégia.

Gamificação não é simplesmente um sistema em que é só ligar pra tudo começar a funcionar. Exige um bom tempo de análise do ambiente, das pessoas e suas motivações para escolher o melhor caminho a seguir.

Lá na Opusphere desenvolvemos um modo de trabalhar que envolve 3 etapas:

1. Imersão

Quem são as pessoas que vão interagir com a estratégia? O que as motivam? Qual é o perfil destas pessoas? Dentro do game design, temos várias mecânicas e dinâmicas para aplicar e nem sempre o elemento que motiva uma pessoa vai motivar a outra. Dentro de uma mesma equipe podemos ter muitos perfis diferentes e é nesta fase que vamos identificar se o que motiva o time é uma dinâmica mais competitiva, mais colaborativa, mais lúdica ou mais sóbria, se guiamos as pessoas pela estratégia ou se deixamos a exploração correr mais solta…

2. Estratégia

Não tem nada a ver com tecnologia ainda, aqui é o desenvolvimento da abordagem. Com os perfis identificados, com a consciência de quais botões queremos apertar na motivação de cada um dos envolvidos, começamos a desenhar uma estratégia de gamificação já com as dinâmicas que queremos implantar. E nem sempre a solução precisa passar pela tecnologia. Algumas vezes o problema identificado é pontual e pode ser resolvido com uma dinâmica simples de tabuleiro por exemplo. É nesta fase que vamos prototipar (quando necessário) e testar, em um universo reduzido, se a estratégia funciona, se tem falhas e se ela se sustenta no longo prazo. Ou ainda, podemos concluir que a gamificação não vai resolver o problema da empresa – sim, gamificação não é mágica!

3. Implantação

Com tudo testado e desenhado, é hora de implantar a estratégia para o todo o time da empresa. E vale festa, vale evento, vale brinde… É importante mostrar para a equipe que algo mudou e que vai ser pra melhor. Como sempre reforço, jogar tem que ser um ato voluntário. A empresa não vai ser bem vista pela equipe se forçar a barra e a situação pode até ficar pior que a inicial…

No fundo, a gamificação é uma estratégia de resolução de problemas como tantas outras. É tudo uma questão de utilizar a ferramenta certa para o problema certo.

 

originalmente publicado no LinkedIn

  • mas o jogo pode mudar de repente de uma hora para outra – só o dinheiro em si pode desaparecer totalmente em breve, tal como o trabalho (emprego) como conhecemos, e até as criptomoedas descentralizadas podem perder totalmente o sentido de existir

    • Marcel Leal

      Sim! Por isso a gamificação deve ser vista como estratégia: é planejar ações para se atingir um objetivo.

      Se ela for encarada como um serviço ou uma “firula”, certamente vai acabar defasada em alguns anos – ou meses, mais frequentemente.

      Obrigado pelo comentário! 😉